As lâmpadas de Shiningville

12 de novembro de 1966 – Alasca/EUA

Shiningville, uma pacata cidade, ou melhor, uma vila com pouco mais de mil habitantes, famosa na região por suas montanhas brilhantes de gelo que nos tempos de frio fazem tremer o maxilar de qualquer ser vivo, foi palco dessa história insólita que chegou até mim pelos meios mais improváveis possíveis. Nem um visionário do cinema ficcional poderia imaginar uma história assim, mesmo em suas noites mais inspiradas. Estranha, insólita e inexplicável até para mim, um físico e astrônomo de calibre, testado e aprovado pelas melhores faculdades do país e acostumado a tratar de teorias descartáveis, possibilidades incertas, hipóteses improváveis e infinitas variáveis. Por isso, chego até aqui com dúvidas cruciais: devo dizer tudo o que vi? Devo divulgar tudo o que senti? A quem interessa essa história?

Possibilidade 1: se eu contar ao mundo

Sou um produtor literário de respeito no meio científico e possivelmente com essa história (onde sou transmissor e não criador) perderei todos os meus créditos perante os críticos do meu tempo. Mas, saiba, eu não escrevo para os críticos do meu tempo. Eles nunca conseguirão compreender as minúcias contidas nesse registro. Eu faço isso pelos que virão, pelas mentes novas e abertas para fatos inexplicáveis e obscuros. Estou certo também que ao divulgar essa história posso estar mexendo com forças maiores e destrutivas. Posso estar encurtando a minha vida e colocando em risco a vida de outros. Posso até mesmo acabar com a pequena Shiningville. Esse é um risco real que corro, conscientemente.

Possibilidade 2: se eu não contar ao mundo

Se eu simplesmente fingir que essa história não chegou até mim e justificar para quem perguntar que foi tudo um sonho, talvez eu morra amanhã de tanta ansiedade. Sabe por quê? Eu também preciso saber o que aconteceu depois disso tudo. Tenho vontade de ir lá e descobrir. Sinceramente estou quase pedindo afastamento do trabalho para pegar um avião e…

Na verdade, meu anseio pela compreensão vai muito além do frenesi da descoberta e me toca mais profundamente que a própria vontade de viver, mais que meu instinto de sobrevivência. É algo irracional, eu concordo, porém totalmente necessário para um homem que decidiu investigar o universo e sua essência, para quem sabe um dia, de teoria em teoria, descobrir Deus.

(trecho inicial retirado da história “As Lâmpadas de Shiningville”, em produção).

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